IV Encontro Nacional da JASBRA

200 anos de Releituras

Exposição Virtual

Jane Austen – Vida e Obra

Colunas Semanais

A cada dia da semana um assunto diferente

sábado, 4 de outubro de 2014



She drank deep, you could see that; she squeezed every drop of living out of all the elements that mattered to her. It made her careless, of course it did, but it was a wonderfully rich and rapt way to be.

Descobri esse livro em alguma das newsletters de editoras que assino – e lembro de ter visto também alguns artigos sobre a idéia por trás da coleção de que ele faz parte. Coloquei-o na lista sempre crescente de volumes a ler futuramente e não pensei muito mais nele até a Terry vir para o Brasil, e trazê-lo na mala para mim.

Eu gostei da forma como Joanna Trollope adaptou a idéia de Razão e Sensibilidade para os tempos modernos, a forma como ela encaixou especialmente a questão de comunicação – celulares, redes sociais, escândalos filmados e postados no youtube... E, considerando que a situação feminina de hoje é diferente daquela à época, os problemas financeiros das mulheres Dashwood tinham de ocorrer de alguma forma diferente, o que ela também conseguiu fazer.

Infelizmente as (necessárias) mudanças acabam por transformar as mulheres da família. Onde antes eu admirava a calma dignidade de Mrs. Dashwood, não posso deixar agora de ver uma mulher infantilizada; a sede de conhecimento e o desejo de explorar o mundo de Margaret a fizeram uma adolescente revoltada do tipo que dá de ombros para tudo, não sobrevive sem celular e vive com fones enfiados no ouvido e Marianne, que a despeito de tudo, respeitava a sensibilidade das pessoas de sua própria família agora é um poço de egoísmo sem qualquer qualidade que a redima.

Só Elinor, prática, cheia de bom senso, preocupada com as contas, os gastos, tentando manter a família unida e abrindo mão de tudo aquilo que a fazia feliz por pessoas que não conseguem enxergar o sacrifício que ela fez por elas, é que continua a mesma de sempre – ou talvez, diante de tudo o que acontece, ainda melhor.

Margaret e Marianne evoluem ao longo do livro, mas Mrs. Dashwood parece, sinceramente, incapaz de crescer. Ela foi a personagem de que menos gostei na história – e a se considerar que você tem uma Fanny Dashwood e uma Lucy Steele para odiar, isso é algo perturbador.

Em compensação, eu ri de me acabar com a forma que ela achou para lidar com Robert Ferrars e seu bizarro casamento com Lucy Steele.

Willoughby continua um canalha, com um passado bem mais pesado. Na história original, mesmo sabendo o que ele apronta, ele consegue nos passar seu charme e muita gente torce por ele – na versão de Trollope, não há um único momento em que você olhe para ele e realmente o ache agradável. Brandon é... Brandon é o salvador da pátria, em mais aspectos do que se poderia imaginar – incluindo o fato de que é ele que consegue o emprego na empresa de arquitetura para Elinor, a despeito de ela ter sido obrigada a largar a faculdade com a mudança da família, emprego que permitirá pagar as contas da família. Edward... eu confesso que gostei mais do Edward dessa versão do que o original, que para mim era meio indiferente.

A despeito disso, o livro funciona bem como uma adaptação da história de Austen para os tempos modernos. Os próximos volumes do The Austen Project são uma releitura de A Abadia de Northanger, cujo autor responsável é um bestseller de romances policiais e Orgulho e Preconceito, ambos com publicação para 2014. Vamos ver o que vem por aí...

sábado, 6 de setembro de 2014



A good turnout at church today. It had nothing to do with the mild weather and a desire to gossip and everything to do with my oratory skills, I am perfectly convinced. Indeed, if not for Mrs Attwood's new bonnet, I would have had the ladies' undivided attention. The gentlemen I was more certain of. They had no interest in bonnets, new or otherwise, and listened in pleasing silence, broken only by an occasional snore.

Dos heróis autenianos, o diário de Mr. Tilney era o único que faltava para eu fechar a série que a Amanda Grange escreveu. Demorei um pouco para colocar as mãos nele – o que é curioso, considerando que Tilney é, depois do Capitão, o meu particular favorito (e devo dizer que, na vida real, preferia um Tilney a um Wentworth, mas deixemos isso quieto, não é mesmo?) – mas enfim consegui.

Como todo mundo já deve ter adivinhado... Henry Tilney’s Diary contra a história de A Abadia de Northanger sob o ponto de vista do herói. E, devo dizer, de todos os diários da Grange que li até aqui... é o que faz melhor essa mudança.

Henry Tilney’s Diary é uma delícia de ler. Talvez pelo fato de que o próprio Tilney é mais leve dos heróis, talvez pelo humor que permeia A Abadia de Northanger, o fato é que toda a narrativa é fluida, gostosa, divertida. Do começo ao fim, eu fiquei sorrindo feito uma boba.

O melhor dele, aliás, é a forma como a família Tilney é apresentada desde antes da morte de Mrs. Tilney. É interessante ver a forma como o General se preocupa e cuida de tudo; ver Eleanor como uma criança empolgada, enxergar por trás da carapaça de sedutor de Frederick.

Simpatizei bem mais com esses personagens diante da apresentação que se faz deles – e da forma como eles mudam com a morte de Mrs. Tilney. Achei absolutamente adorável a relação de Eleanor e Henry, lendo um para o outro. Gostei da forma como Eleanor se apaixona e até mesmo Frederick se redimiu aos meus olhos. Curiosamente, o general me deu foi pena em vez de raiva.

O desenvolvimento da relação entre Henry e Catherine também está de parabéns. Quando li A Abadia de Northanger pela primeira vez, um dos pontos que questionei – acho inclusive que o fiz no debate do clube do livro – foi que não entendia completamente como Henry se apaixonara pela avoada Miss Morland. Mas a Grange fez um ótimo trabalho nesse aspecto e eu parei de me questionar tanto sobre a futura felicidade do casal.

Enfim, uma excelente segunda versão da história original, que respeita não apenas os personagens como também o espírito da obra. Grange foi perfeita na evocação da voz de Henry Tilney e está em sua melhor forma nesse livro. Divertido, descontraído, adorável – quem gosta de A Abadia de Northanger certamente vai se encantar com esse aqui.

quinta-feira, 4 de setembro de 2014

Prezados leitores,

hoje mais cedo recebi uma ótima notícia da Editora Martins Fontes! O lançamento de Jack e Alice em português, numa edição lindamente ilustrada!
 
Tradução de: Christine Rohrig
Ilustração de: Andrea Joseph

A leitora Naiara Aimée me enviou algumas imagens das páginas ilustradas:








Vejam os detalhes abaixo:

Título :Jack & Alice
Autor : Austen, Jane
Editora: Martins Fontes - selo Martins 
1º a edição
76 páginas
2014
R$ 24.90
Sinopse: 
Jack and Alice é um pequeno romance que foi escrito pela grande autora inglesa Jane Austen, quando ela tinha apenas 15 anos de idade. De leitura veloz, o texto jovem mostra que a irreverência e a ironia acompanhavam Austen desde cedo, e seguiram como marcas registradas de suas obras maduras, verdadeiras obras-primas que ainda hoje são pesquisadas, estudadas, adaptadas e incansavelmente lidas.
Em Pammydiddle, um baile de máscaras rendeu comentários. A sociedade da região, principalmente a sociedade feminina, não pôde deixar de lado a presença singular de Charles Adams. Entre uma taça de vinho e outra, a história de Alice é contada a partir de suas conversas e confissões com Lady Williams, e o leitor poderá entrar nesse salão de visitas para conhecer mais alguns dos personagens peculiares de Austen. 

Onde comprar:

Livraria da Travessa
Martins Fontes
Livraria Cultura

quarta-feira, 13 de agosto de 2014


O Clube do Livro de Bolso e a JASBRA/PE estão com data marcada para um novo debate de Mansfield Park. Dia 30 de agosto, a partir das 15h na Saraiva do Shopping Recife - os detalhes também estão disponíveis no site da Saraiva Conteúdo e na página do grupo no Facebook

Vejo vocês por lá!

sábado, 2 de agosto de 2014


Procuramos nossos amigos para ter conforto em relação às partes da nossa vida nas quais temos que “trabalhar” – nossos trabalhos e nossos relacionamentos com homens. Os amigos estão lá quando saímos do tumulto da vida e paramos no acostamento, quando fazemos a análise no fim do jogo. Dividimos nossos pensamentos e sentimentos com eles, ou, talvez, com nossa mãe ou irmã. No entanto, depois que saímos da faculdade e daqueles pequenos apartamentos que dividíamos na época do primeiro emprego, com frequência, deixamos de dividir nossa vida com outras pessoas além de um homem. O que significa que estamos tentando administrar nosso relacionamento sem o tipo de prática em relacionamentos em geral que as heroínas de Jane Austen têm.

Eu estava na Cultura com o Duda – provavelmente era uma sexta-feira, porque sextas são dia de almoçar com Duda, visitar livraria e tomar sorvete – quando me deparei com esse título numa das estantes. Já tinha visto a Adriana fazendo comentários sobre o livro e já o tinha anotado para futuras aparições aqui nessa coluna, de forma que o enfiei debaixo do braço e segui para o caixa.

Nenhuma surpresa com o fato de que sou uma compradora impulsiva e compulsiva de livros, certo? Certo.

Vou confessar que quando comecei a ler A Fórmula do Amor, logo aos primeiros capítulos, quase larguei o livro de lado. Não sou uma grande fã de autoajuda e o volume tem um pezinho no gênero, especialmente em suas sessões Segredo de Jane Austen.

Mas decidi persistir. A autora é formada em filosofia e seus insights dos personagens austenianos e da questão dos relacionamentos no mundo moderno à vista da obra de Jane são muito interessantes. Há muito do que ela escreve com que concordo, algumas interpretações que ela faz parecidas com as minhas, só que descritas com uma profundidade maior. E não falo aqui apenas de interpretações dos livros, mas também de relações humanas.

Não gosto de autoajuda porque não acho que assertivas genéricas sobre o sucesso alheio funcionem. Não sou contra conselhos, sou contra ser aconselhado por pessoas que não te conhecem e que apenas reproduzem platitudes sem se preocupar em pensar nas particularidades do caso concreto. Especialmente em questões amorosas.

E, para ser sincera, também não gosto de ninguém se metendo na minha vida, mas não vamos nos preocupar com isso agora.

A despeito disso, concordei com muito do que foi posto pela autora, em especial sobre as diferenças entre amor e Amor Romântico; sobre felicidade como equilíbrio; sobre a forma como certas pessoas acabam por se acomodar àquilo que é mais fácil e ficam com uma pessoa mesmo sabendo que aquela relação não tem futuro, apenas preparando o terreno para futuros corações partidos.

Falta-me, contudo, para conseguir me identificar de fato com a proposta do livro, aspirar a ser uma heroína (olá, Catherine) – ou, pelo menos, aspirar a ser uma heroína à espera do seu Mr. Darcy ou Mr. Knightley. A despeito de todas essas diferenças, A Fórmula do Amor é um livro interessante, que me chamou a atenção pela forma como interpreta uma série de questões austenianas.

sábado, 5 de julho de 2014



Concluí que era melhor ser considerada solteirona sem história de amor do que uma figura trágica, insensata. Que ousara amar alguém acima de sua posição, e perdera.

Meu muito querido tio Fafa me deu esse livro de presente pouco depois da publicação. Demorei um pouco para ler, considerando meu atual cronograma de leituras austenianas para essa coluna, mas finalmente estamos aqui.

As Memórias Perdidas de Jane Austen começa revelando que alguns papéis foram encontrados durante uma renovação em Chawton, a casa em que Jane Austen viveu por último antes de morrer – papéis esses que seriam uma espécie de diário da autora (o que me lembrou um pouco a série que a transforma em detetive, escrita por Stephanie Barron).

Esse diário conta a história do grande romance que Austen teria vivido pouco antes de se mudar definitivamente para Chawton. A premissa parte de afirmações feitas em cartas de familiares da autora, de que Austen teria se apaixonado por um cavalheiro à época, um clérigo, mas que ele teria morrido antes que qualquer coisa pudesse acontecer.

Só que esse comentário (e importante observar que isso não é uma invenção da ficção do presente romance, mas algo real) esconderia uma outra relação, intensa e passional com Mr. Frederick Ashford, herdeiro e filho de um baronete, que ela teria conhecido num passeio a Lyme, numa situação muito parecida com aquela de Persuasão.

Aliás, para o leitor habitual de Austen, o livro é um prato cheio de referências às obras da autora – sua corte com Ashford e as diversas situações retratadas no livro servem de inspiração especialmente para Razão e Sensibilidade e Orgulho e Preconceito, que estavam sendo revisados e às vezes quase completamente reescritos à época.

Sendo bastante sincera, a despeito das situações que se refletem das obras originais pra cá, não acho que As Memórias Perdidas de Jane Austen tenha o mesmo estilo, a mesma genialidade de escrita de Austen. E nem é esse seu propósito. Mas se não existe a sutileza irônica original, há um romance bem desenvolvido e açucarado.

Eu tive um certo problema em acreditar em Mr. Ashford, porque ele me parece perfeito demais, talhado sob medida para Jane, mas dentro da proposta do livro, ele funciona – ele está ali, afinal, para ser o ideal romântico por trás dos grandes heróis criados por Austen. De uma forma geral, As Memórias Perdidas de Jane Austen é um bom divertimento ‘sessão da tarde’, que rende suspiros e sorrisos e, ao final, nos deixa um tantinho melancólicos.

quarta-feira, 2 de julho de 2014

Prezados Leitores, dessa vez terermos um sorteio duplo de livros em Inglês: Persuasion e Emma. Mas você que ainda acha que não consegue ler uma versão integral em inglês dos livros de Austen não se desespere! Os livros que estão neste sorteio são graduados, ou seja, são livros escritos e adaptados para leitores com nível elementar e intermediário de inglês! Além disso, cada livro vem com CDs de áudio com a história contada e são ilustrados. A Editora Penguin Readers nos prestigia com a doação desses livros!  Serão dois vencedores! 

Prestem atenção para os detalhes: participações até o dia 13 de julho e resultado do sorteio será dia 14 de julho.  Para participar do sorteio é preciso responder a pergunta: Qual das heroinas Emma ou Anne Elliot você prefere e por quê? 

Boa sorte para todos!! 

Vejam os detalhs dos livros abaixo:




terça-feira, 1 de julho de 2014

Conforme eu publico no grupo da JASBRA no Facebook, a sorteada Parte 1 foi a Kátia Santos. Na semana passada, eu tive um problema de acesso ao blog, por algum tipo de script que não rodava no meu computador e por isso fui obrigada a publicar o resutlado do 1o sorteio lá no facebook.

A parte 2 do sorteio de aniversário do blog, é uma bolsa comemorativa 200 anos de publicação de Mansfield Park + marcadores de livro. E a vencedora é:  

sexta-feira, 20 de junho de 2014


Continuando com os sorteios pelo aniversário do blog, e também dentro das comemorações do Bicentenário de Mansfield Park, hoje temos um kit de ecobag e marcadores da nova loja da Dani, a Mad Monalisa.



Para quem não conhece a Dani, ela é uma estudante de artes, especialista em ilustrações tradicionais e colaboradora do Coruja em Teto de Zinco Quente. Em 2011 ela começou a fazer uma série de desenhos inspirados na obra de Austen – primeiro para o encontro de Razão e Sensibilidade realizado no Recife em 2011 e depois expandindo o repertório para os outros livros da autora.

Para participar do sorteio deixe seu nome e email para contato.
Participações até 30 de junho de 2014.


terça-feira, 10 de junho de 2014

Prezados leitores, em 23 de fevereiro este blog completou 6 anos de existência! E se configura como o primeiro blog em língua portuguesa totalmente dedicado à Jane Austen e em consequência acabou se tornando o blog da JASBRA também.
Infelizmente no início do ano, eu estava envolvida em concursos públicos e doutorado e não pude oficializar as comemorações de uma data tão querida! 



Para conhecer um pouco da história do blog, leia aqui. Decidi colocar os sorteios (sim!! serão muitos!!) durante a copa para dar uma folga para as leitoras atrasadas de Mansfield Park, pois quando estivermos na segunda quinzena de julho começaremos as discussões sobre o livro.

Para começar com chave de ouro, o livro Celebrating Pride and Prejudice! Edição comemorativa dos 200 anos de Orgulho e Preconceito, porém é totalmente em língua inglesa! Veja detalhes do livro aqui e confira a resenha de Luciana Darce aqui

Para participar do sorteio deixe seu nome e email para contato.
Participações até 15 de junho de 2014.




Prezados leitores, só estou publicando hoje o resultado do sorteio porque o nosso amiguinho Fitz esteve no hospital duas vezes desde o final de semana. Felizmente ele está bem agora, mas ficou com febre por dois dias...

Para alegrar nossa terça-feira, o resultado do sorteio duplo de Mansfield Park que esteve no ar até 08 de junho e contou com  139 participantes! 

Parabéns Madalena e Marcela!!


sábado, 7 de junho de 2014



- De maneira alguma, meu caro senhor, de maneira alguma - exclamou o sr. Parker impaciente. - Pelo contrário, asseguro-lhe. É a ideia geral, mas um equívoco. Isso pode se aplicar aos lugares desenvolvidos, superpovoados como Brighton ou Worthing ou Eastbourne, mas não a um vilarejo como Sanditon, impedido por suas dimensões de sofrer quaisquer males da civilização; ao passo que o crescimento do lugar, as edificações, as sementeiras, a demanda por tudo e a segura existência das melhores companhias (dessas famílias regulares, sólidas e reservadas dotadas de nobreza e caráter que são uma bênção em qualquer parte) estimulam o trabalho dos pobres e difundem o conforto e o desenvolvimento de toda a sorte entre eles. Não, meu caro senhor, asseguro-lhe que Sanditon não é um lugar...

- Não quis dizer que não haja exceções em algum lugar em particular - respondeu o sr. Heywood -, só penso que a nossa costa está repleta deles. Mas não seria melhor levar o senhor...

- Nossa costa está repleta! - repetiu o sr. Parker. - Talvez nesse ponto não possamos de todo discordar. Pelo menos já há o bastante. Nossa costa já está muito explorada. Não precisa de mais. Atende ao gosto e às finanças de cada um. E essa boa gente que está tentando ampliar o número das estações balneárias, na minha opinião, insiste num exagero e em breve se verá vítima de seus próprios cálculos falaciosos. Um lugar como Sanditon, senhor, posso dizer que foi sonhado, foi exigido. A natureza selecionou-o, indicou-o em caracteres maiúsculos. A brisa mais pura e suave da costa, tida como tal, banhos excelentes, areia fina e firme, águas profundas a dez metros da praia, sem lama, sem ervas, sem pedras escorregadias. Nunca houve um lugar mais claramente projetado pela natureza para ser o balneário de enfermos, o verdadeiro lugar de que milhares de pessoas estavam à procura! À mais conveniente distância de Londres! Um quilômetro e meio mais perto do que Eastbourne. Imagine apenas, senhor, a vantagem de economizar toda essa distância numa longa viagem. Mas Brinshore, senhor, na qual acredito esteja pensando, as tentativas de dois ou três especuladores em Brinshore no ano passado de promover aquele mesquinho povoado, situado como está entre um charco estagnado, uma charneca árida e as constantes emanações de um brejo de algas putrefatas, não pode resultar em nada a não ser em decepção. E, em nome do bom senso, Brinshore poderia ser recomendável? Um ar muitíssimo insalubre, estradas sabidamente detestáveis, água suja sem igual, sendo impossível ter-se uma boa chávena de chá num raio de cinco quilômetros em redor. E, quanto ao solo, é tão gelado e infértil que nem consegue produzir um repolho que seja. Confie em mim, senhor, que esta é uma descrição a mais fiel de Brinshore, sem o mínimo grau de exagero, e se o senhor ouviu falar dela de modo diverso...

Trabalhos mais maduros de Jane Austen, os dois romances que foram publicados nessa edição - Sandition e Os Watsons são inéditos no Brasil. E eram inéditos para mim também, que os conhecia de nome, mas nunca os tinha tido em mãos.

Talvez seja um tanto estranho ir atrás de ler uma obra que não tem final, cujo desenvolvimento, de uma forma geral, está incompleto. Como uma leitora amante de tudo o que Austen escreveu, contudo, não poderia me furtar a esse comichão de conhecer tudo o que ela escreveu, independente de ela ter terminado ou não.

Os Watsons começa o volume. A bela, gentil e delicada Emma Watson retorna para casa depois de anos sob a guarda de uma tia rica – agora que esta se casou, não a quer mais e onde antes havia a expectativa de terminar como uma herdeira (numa seqüência parecida com a de Frank Churchill), agora ela é apenas mais uma irmã entre outras quatro de uma família pobre com um pai hipocondríaco.

A despeito disso, sua beleza consegue chamar a atenção de Lorde Osborne, o principal membro da sociedade local. E isso é mais ou menos tudo.

São apenas dois capítulos e confesso que eles me deixaram com a impressão de um dos romances góticos com que a própria Austen tanto brinca em A Abadia de Northanger. A irmã mais velha que serve de primeira anfitriã para Emma, Elisabeth, não me inspirou muita confiança e pelo que sabemos das outras duas irmãs; tampouco elas parecem particularmente boa companhia. Lorde Osborne é meio que uma nulidade, mas isso é o de menos – segundo se conta, os planos da escritora eram de juntar Emma com o pároco da propriedade dos Osborne e não com o próprio lorde.

Só que temos tão pouco de Mr. Howard, o pároco – que mal abre a boca e faz qualquer ação muito digna de nota – que não dá para prever exatamente como esse relacionamento vai acontecer.

Some-se a isso o fato de que no planejamento original, Mr. Watson morre e Emma fica à mercê do irmão mais velho e da cunhada, que têm uma boa renda, mas não são exatamente generosos.

Há muito, muito pouco para perceber como a coisa toda se desenvolveria, mas esses dois capítulos têm seus momentos. Tom Musgrove é um cafajeste cômico, Lorde Osborne é profundamente antissocial (de uma maneira bem mais esquisita que a de Mr. Darcy) e tenho a impressão de que entre esses dois personagens, muitas situações de ridículo para Austen escaramuçar poderiam se seguir.

Emma, por outro lado, me faz pensar muito em Anne, de Persuasão, com sua bondade e delicadeza inatas – especialmente na cena em que faz a alegria do pequeno Charles no baile que abre o livro.

Diz-se que Austen teria começado o livro em sua época morando em Bath, abandonando-o quando da morte do pai, uma vez que a situação de sua protagonista tornara-se dolorosamente parecida com a sua.

Sandition, por outro lado, teria sido a última obra em que ela trabalhou, tendo sido abandonada por causa da doença e subsequente morte da autora. É mais bem acabada que Os Watsons - além de ter mais capítulos (onze), a história parece mais polida, mais focada na verve de humor habitual de Austen. A protagonista do romance, Charlotte, parece-me mais simpática e humana que Emma, com uma aguçada percepção da sociedade ao seu redor e uma boa disposição para rir-se inclusive da própria situação.

Sandition é um balneário à beira mar que está começando a crescer como destino de férias graças aos investimentos de Mr. Parker e Lady Denham. Ainda há muito caminho até que o local se torne ‘da moda’ – que é a grande ambição dos dois – mas é um local agradável, com uma geografia privilegiada e Charlotte parece contente com sua visita ao local. De uma forma geral, contudo, o resort é mais um ideal do que realmente aquilo que desejam seus investidores.

O elenco de personagens vai do bonachão e prestativo Mr. Parker, aos seus irmãos absurdamente hipocondríacos (e esse parece ser um tema algo recorrente a partir de Emma), à inteligente e mesquinha Lady Denham e seu sobrinho um tanto maluco de ler romances, Sir Edward – que decidiu ter aptidão para ser vilão gótico e aspira a se tornar o infame Lovelace, de Clarissa.

A história tem um ritmo rápido e um foco interessante em questões de comunicação e propaganda – o resort tem por principal promoção o boca a boca, seja o pessoal, seja por cartas, há algumas confusões por conta desses diálogos epistolares. Infelizmente, o livro termina exatamente quando o herói da história, o irmão mais novo e enérgico dos Parker, Mr. Sidney, chega – e pelo que sabemos dele das cartas de Mr. Parker, tenho a impressão que ele e Charlotte se dariam muito bem.

As duas narrativas são interessantes – não apenas pela forma como podemos entrever o processo de escrita de Austen, mas também pelo potencial que ambas possuem. Outros autores, inclusive da própria família da autora, escreveram continuações e fiquei razoavelmente curiosa para encontrá-las.

Até lá, nos fica a tarefa de tentar imaginar por nós mesmos como elas avançariam – um exercício bastante agradável entre uma releitura e outra dos romances acabados de Austen...

quarta-feira, 4 de junho de 2014

Para dar início ao nosso planejamento do Encontro Nacional no 2o semestre deste ano, nós aqui da JASBRA-MG iremos realizar um encontro no próximo dia 07 às 14:30 na livraria Mineiriana. Na ocasião teremos o prazer de discutir algumas questões do livro Mansfield Park e também planejarmos o Encontro Nacional.

Sejam todos bem vindos!





quinta-feira, 29 de maio de 2014

De acordo com informações da BBC News. Assista ao vídeo abaixo:



Segundo o site Literatortura:
Conservadores do Museu da Jane Austen, em Chawton, na Inglaterra, encontraram um trecho inédito supostamente escrito pelo punho da autora. Nunca antes descoberto, o manuscrito passou 150 anos preso a uma carta para Jane Austen de seu sobrinho, o reverendo James Austen-Leigh, dentro de uma primeira edição das memórias da escritora.




Um grupo de pesquisadores da West Dean College, conseguindo desgrudar o fragmento, decifrou as seguintes palavras: “…grande propriedade preservada – onde quer que seja… queria ser  absolvido do Supersticioso… do Papismo… onde quer que novos estivessem para ser… compostos a fim de preencher e conectar os Serviços… com um espírito verdadeiro.”.
Já na frente do texto, um sermão de Austen-Leigh, lia-se: “Os homens podem cairem um hábito de repetir as palavras de nossas Orações de cor, talvez sem entendê-las completamente – com certeza sem sentir completamente sua força e significado integrais.”.
Apesar de confusos, para especialistas, os fragmentos ecoariam uma passagem do capítulo 34 de “Mansfield Park”na qual as personagens de Henry Crawford, Fanny Price e Edmund Bertram discutem o sermão deste último, e talvez até elucidem a indagação de Crawford: “Muitas vezes fico pensando como a oração deve ser lida, e desejando poder lê-la eu mesmo.”.Levanta-se também a hipótese de que a própria Jane, além de influenciado as ideias da família, tenha escrito os sermões do sobrinho, que, tsc, tsc, escreveu: “Essa é a escrita, mas não as palavras, da autora Jane Austen, minha tia” – nem me fale da violação de propriedade intelectual.
Pertençam a quem pertençam, as palavras serão expostas ainda este ano na Casa-Museu Jane Austen, última morada da famosa escritora.
Veja uma publicação da BBC aqui.


quarta-feira, 28 de maio de 2014

Prezados leitores, em 2012 tive o prazer de trabalhar com a Editora Martin Claret e ajudar a escolher cores de capas e escrever todos os resumos das contracapas, além, é claro, de traduzir Emma.

Para comemorar o Bicentenário de Mansifeld Park e em parceria com a editora Martin Claret, começam hoje e vai até o dia 08 de junho as participações para o sorteio de 2 livros Mansfield Park, tradução de Alda Porto. 

Até o FITZwilliam Darcy, vulgo Fitz, quis participar do convite para o sorteio! 

Meninos são muito bem vindos, apesar do convite sedutor do gato Fitz! :) 


Para participar vocês deverão deixar nome e email de contato! Não será permitida a participação duplicada.

O resultado do sorteio será publicado aqqui no blog da JASBRA no dia 09 de junho! Fiquem atentos! Os vencedores terão 05 dias para enviar os dados de correspondência! 

Vejam os detalhes dessa coleção da Martin Claret: cores vibrantes, capítulos com o 1o parágrafo com a letra de Jane Austen e as flores das capas são todas em dourado!


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